No final de 2012, meu filho nasceu e, numa depressão pós-parto devastadora, uma das atividades que eu não tinha a menor vontade de fazer era escrever.
Minhas primeiras linhas eram algo mais ou menos assim: “hoje o dia foi difícil, dormi mal, Leo acordou muito à noite, tive que trocar muitas fraldas, consegui ficar feliz por meia hora.” E só.
Ao longo dos próximos 9 anos, eu continuaria escrevendo, às vezes mais, às vezes menos. Curada ou não. Conforme eu melhorei, a escrita voltou a ficar elaborada e profunda.
Em 2020 veio a pandemia e a sobra de tempo. A necessidade de escrever diariamente, algo que me acompanhava desde o ensino médio, voltou com tudo. Reli meus textos antigos sobre puerpério e mergulhei no que viraria o Entressafras, minha obra autobiográfica. Descobri essa “gestação celulósica” quase ao mesmo tempo em que a pari. Ainda não sabia se conseguiria publicá-la, estava insegura em revelar ao mundo o que passei, o que senti.
Em 2020 inaugurei uma conta de Instagram com a finalidade de publicar outros relatos de depressão pós-parto. Logo ficou claro que textos de até 2.200 caracteres não eram suficientes para contar as complexas histórias que conheci. Algumas chegam ao equivalente a 20 páginas de livro – e minhas seguidoras realmente leem, comentam, abraçam aquela mãe que abriu seu coração.
Fazendo uma “conta de padeiro”, escrevi cerca de 600 páginas ao longo da minha jornada no meu IG. Conheci muita gente legal, ajudei muitas mulheres, no público e no privado, e me emocionei incontáveis vezes.
Depois de 38 relatos me bateu o “momento eureka”. Finalmente entendi o meu chamado e o enlacei com os pés como a uma bóia: não algo que vá me salvar — quem me salva todos os dias sou eu mesma —, mas que me mantém à tona enquanto dou minhas braçadas avante. Só a experiência autoriza essa travessia.
Os relatos que publiquei, presentes aqui, foram a fundação para minha carreira de biógrafa e escritora por encomenda. Hoje em dia, dedico-me em tempo integral à escrita, seja para livros de família, memoirs, biografias ou autoficção.
É uma delícia penetrar aos poucos na história das pessoas que me procuram, é gratificante ver a satisfação nos olhos de cada um. Compartilhar a vida para escrever sua biografia é também um ato terapêutico e permite elaborar vivências, mesmo que algumas delas não entrem no livro.
Me mande uma mensagem se quiser conhecer mais como eu trabalho. Será um prazer te ouvir e te explicar como é possível eternizar sua vida. Porque, bem escrita, ela vale muito a pena.

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