A renomada psicóloga Elizabeth Loftus demonstrou que a memória se altera cada vez que é acessada, distorcendo ou até inventando completamente a realidade.

Para provar sua ousada teoria, Elizabeth criou experimentos clássicos com resultados reveladores.
Em um deles, ela mostra um vídeo de um acidente de carro. Os participantes são questionados sobre o que viram. Para um grupo a pergunta é “a que velocidade os carros bateram?”. Para outro, “a que velocidade os carros se esmagaram?”, entre outros verbos com diferentes graus de “violência”. Descobriu-se que quem ouviu palavras mais fortes, como “esmagaram”, lembrou de uma colisão em maior velocidade e com mais danos (até vidros estilhaçados que não existiam!).
Outro experimento clássico: participantes recebem quatro histórias da infância, das quais uma é falsa: a de que tinham se perdido num shopping quando crianças. Um em cada quatro participantes se “lembravam” do evento falso com detalhes.
Os experimentos mostram como somos influenciáveis e podemos nos lembrar de coisas que nunca aconteceram. Como podemos mudar memórias reais e criar lacunas que tornam testemunhos oculares infiáveis.
As descobertas de Elizabeth Loftus foram tão surpreendentes que tiveram enorme impacto sobre como os tribunais veem testemunhos oculares. Com maior desconfiança, casos de falsas acusações foram analisados com mais cuidado, métodos de interrogatório foram revistos e antigos casos precisaram ser desengavetados com evidências de DNA.
Quanto antes registrarmos nossas memórias, mais preservamos a integridade da experiência antes que ela seja reconstruída.
Em suma: em se tratando do registro de memórias, esperar é perder.

Leave a Reply